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terça-feira, 3 de abril de 2012

SciELO E O PORTAL DE LIVROS ELETRÔNICOS

SciELO Brasil lança portal de livros eletrônicos

03/04/2012
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Foi lançado em 30 de março, durante evento na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, o portal SciELO Livros.

Integrante do programa Scientific Eletronic Library Online SciELO Brasil – resultado de um projeto financiado pela FAPESP em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) –, o portal visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas.

A iniciativa pretende aumentar a visibilidade, o acesso, o uso e o impacto de pesquisas, ensaios e estudos realizados, principalmente, na área de humanas, cuja maior parte da produção acadêmica é publicada na forma de livros.

“Uma porcentagem significativa de citações que os periódicos SciELO fazem, principalmente na área de humanas, está em livros. E como um dos objetivos da coleção SciELO é interligar as citações entre periódicos, a ideia é também fazer isso com livros”, disse Abel Packer, membro da coordenação do programa SciELO, à Agência FAPESP.

De acordo com Packer, a ideia do projeto foi sugerida em 2007 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e foi iniciado em 2009 sob a liderança e financiamento de um grupo formado pelas editoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Fiocruz.

O desenvolvimento da plataforma metodológica e tecnológica contou com a cooperação da Bireme, e a execução do projeto teve apoio institucional e de infraestrutura da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Inicialmente, o portal reunirá cerca de 200 títulos, distribuídos mais ou menos igualmente entre as editoras das três universidades. A partir do lançamento, a expectativa é que a coleção possa contar com a adesão de outras editoras acadêmicas.

Para integrar o portal, as editoras e as obras são selecionadas de acordo com padrões de controle de qualidade aplicados por um comitê científico e os textos são formatados de acordo com padrões internacionais que permitem o controle de acesso e de citações.

A publicações poderão ser lidas por meio de plataformas de e-books, tablets, smartphones ou na tela de qualquer computador, acessadas diretamente do portal ou de buscadores na internet, como o Google, e também serão publicadas em portais internacionais.

“A ideia é contribuir para desenvolver infraestrutura e capacidade nacional na produção de livros em formato digital e on-line, seguindo sempre o estado da arte internacional”, explicou Packer.
Segundo ele, a plataforma metodológica e tecnológica desenvolvida para publicação de livros eletrônicos para a coleção da SciELO Brasil deverá ser utilizada por outros países que formam a rede SciELO para publicar suas coleções nacionais, com gestão autônoma.
Venda de livros
Além das obras com acesso aberto e gratuito, o portal SciELO Livros também possui uma área na qual será possível ao usuário comprar obras das editoras integrantes do projeto no formato e-book.
“A venda deverá ser uma das fontes de recursos financeiros previstos na operação autosustentável do portal. Isso representa uma novidade para o SciELO, que tem acesso totalmente aberto para os seus periódicos. Entretanto, o número de livros em acesso aberto deverá predominar”, disse Packer.
Segundo ele, a meta inicial é publicar entre 300 a 500 títulos por ano no portal. Entretanto, esse número de publicações dependerá da reação das editoras e do público.

“Se o projeto tiver um sucesso semelhante ao do SciELO Periódicos, o desenvolvimento do portal poderá ser mais rápido, e ele deverá contar com muito mais livros”, estimou.
Criada em 2007, o SciELO Brasil é, segundo o Ranking Web of World Repositories, conhecido como Webometrics, o líder mundial entre os maiores portais de informação científica em acesso aberto e gratuito no mundo.

Em 2011, de acordo com Packer, a coleção SciELO Brasil teve uma média diária de 1,2 milhão de downloads de artigos. Seu modelo de publicações de periódicos é adotado hoje por diversos países e forma uma rede de coleções nacionais.
Os países com coleções certificadas estendem-se pela América Latina, como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Venezuela, e Europa (Espanha e Portugal). A coleção da África do Sul está prevista para ser qualificada e certificada em 2012.

A expectativa é que esses países também venham adotar o modelo SciELO de publicação de livros em formato digital.

SciELO Livros: 
http://books.scielo.org
http://agencia.fapesp.br/15402

quinta-feira, 29 de março de 2012

MINICURSOS DE LETRAS, NO POLO DE CABACEIRAS PB

Saudações crísticas, e literárias!

Os minucursos programados pela UFPB-Virtual, para o curso de Letras, no Polo de Cabaceiras - PB, tiveram início, no dia de ontem, e continuam, hoje.

Os minicursos, são:
1 - Escola e Ensino de Língua: relações teóricas e práticas;
2 - Aprender com a diversidade: uso do texto como ferramenta includente;
3 - O Gênero Resumo Científico: entre a teoria e a prática.

Professores:
  • Erick Cavalcante;
  • Gualberto Praxedes;
  • Mônica Gurjão.
Apoio Técnico: Haroldo.
Participantes do minicurso 3:
  1. Janaína Iris;
  2. Paulo Sérgio;
  3. Armistrong Souto;
  4. Ana Maria;
  5. Jane Paula;
  6. Margarida Henriques;
  7. Silvio Romero;
  8. Ielba Valeska;
  9. Iara Tereza.

Registros Fotográficos:










Abraço fraterno!

BRASILEIRO LÊ, EM MÉDIA, 4 LIVROS POR ANO.

Pesquisa revela que brasileiro lê, em média, quatro livros por ano
  Comentários :: Publicado em 29/03/2012 na seção noticias :: Versões alternativas: Texto PDF


O brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. É o que aponta a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada ontem (28/03/12) pelo Instituto Pró-Livro. O estudo realizado entre junho e julho de 2011 entrevistou mais de 5 mil pessoas em 315 municípios. Em 2008, o instituto divulgou pesquisa semelhante que apontava a leitura média de 4,7 livros por ano. Entretanto, a entidade não considera que houve uma queda no índice de leitura dos brasileiros, já que a metodologia da pesquisa sofreu pequenas alterações para torná-la mais precisa.

De acordo com o levantamento, o Brasil tem hoje 50% de leitores ou 88,2 milhões de pessoas. Se encaixam nessa categoria aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. Entre as mulheres, 53% são leitoras, índice maior do que o verificado entre os entrevistados do sexo masculino (43%).

Ao perguntar para os entrevistados quantos livros foram lidos nos últimos três meses, período considerado pelo estudo como de mais fácil para lembrança, a média de exemplares foi 1,85. Desse total, 1,05 exemplar foi escolhido por iniciativa própria e 0,81 indicados pela escola.

Entre os estudantes, a média de livros lidos passa para 3,41 exemplares nos últimos três meses. Os alunos leem 1,2 livro por iniciativa própria, divididos entre literatura (0,47), Bíblia (0,15), livros religiosos (0,11) e outros gêneros (0,47).

De acordo com o estudo, a Bíblia aparece em primeiro lugar entre os gêneros preferidos, seguido de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.

Percentual de brasileiros leitores é maior entre jovens e moradores de zonas urbanas

Pesquisa divulgada ontem (28/03/12) mostrou que o maior percentual de leitores na população está entre os jovens. A renda familiar, o lugar onde se vive e a escolaridade também são fatores que influenciam o gosto pela leitura. O estudo Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, identificou que 50% da população pode ser considerada leitora. O critério é ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses.

"Os leitores do Brasil são pessoas que têm acesso a bibliotecas, a livros diversificados, que não são aqueles os comprados ou oferecidos pelas escolas. [Os leitores] são aqueles que têm incentivo dentro de casa, dos pais e dos familiares", disse a presidente do Instituto Pró-Livro, Karine Pansa.

Dos 5 anos de idade até os 24, o índice de leitores verificado na pesquisa é sempre superior ao de não leitores. Na faixa etária de 14 a 17 anos, por exemplo, estão 14% do total de leitores e apenas 5% dos considerados não leitores. O quadro muda à medida que avança a idade: no grupo entre 50 e 69 anos, por exemplo, encontram-se 23% dos não leitores e apenas 12% da população que lê.

A zona rural concentra 66% do total de não leitores no país e as capitais, 22%. A renda também é fator determinante no hábito da leitura. Na classe A, os entrevistados responderam ter lido, em média, 3,6 livros nos últimos meses. Na classe C, o índice foi 1,79 e na D/E, 0,99.

Entretanto, o preço do livro não é apontado como um fator que dificulta a leitura. Entre as principais razões apontadas por aqueles que não leram nenhum exemplar nos últimos três meses, a principal é a falta de tempo, citada por 53%, seguida pelo desinteresse, admitido por 30%. Apenas 4% dizem que não leem porque o livro é caro e 6% porque não têm bibliotecas perto de casa.

"Às vezes, questionamos se o livro é caro, mas isso não aparece como fator de impedimento na pesquisa. Percebemos que é falta de conhecimento do prazer da leitura mesmo. Quando a pessoa diz que não tem tempo para ler, na verdade, ela tem tempo para outras coisas, como ver televisão", afirmou Karine.

Maioria dos brasileiros nunca frequentou uma biblioteca

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, aponta que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca. A quantidade de pessoas que não buscam as bibliotecas é a mesma de 2007. No entanto, o uso frequente desse espaço caiu de 10% para 7% entre 2007 e 2011.

A maioria dos entrevistados (71%) sabe da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e diz que o acesso a ela é fácil. Os estudantes são os que mais usam esse tipo de equipamento, 64% dos entrevistados disseram que procuram mais pelas bibliotecas escolares. De acordo com a pesquisa, 50% dos frequentadores pertencem à classe C.

A média de livros lidos nos últimos três meses por quem vai às bibliotecas é 3,84 livros. A maioria dos usuários é da Região Sudeste (43%). A Região Nordeste tem 24% de frequentadores assíduos, as regiões Norte e Centro-Oeste, 18% cada, e a Região Sul, 14%.

Além de não ir à biblioteca, a maioria dos brasileiros (33%) disse que não tem nada que o motive a frequentar o espaço de estudo (33%). Para 20% dos entrevistados, no entanto, a existência de livros novos é considerada um atrativo, 17% declararam que frequentariam mais as bibliotecas se elas ficassem perto de onde moram e 13% se elas tivessem livros mais interessantes.

Leia também

Ver TV é atividade preferida no tempo livre, leitura fica em sétimo

FONTE

Agência Brasil
Amanda Cieglinski e Daniella Jinkings - Repórteres
Lílian Beraldo, Nádia Franco e Aécio Amado - Edição

Links referenciados

Ver TV é atividade preferida no tempo livre, leitura fica em sétimo
www.agrosoft.com/agropag/221186.htm

Instituto Pró-Livro
www.institutoprolivro.org.br

Agência Brasil
www.agenciabrasil.gov.br
http://www.agrosoft.org.br/agropag/221185.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+agrosoft+%28Jornal+Agrosoft%29

segunda-feira, 19 de março de 2012

MENINAS ACESSAM MENOS A EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA SEGUNDO A UNESCO

Acesso à educação secundária ainda é desafio para meninas, diz Atlas da UNESCO


por Redação da Rádio ONU
capa materia 300x183 Acesso à educação secundária ainda é desafio para meninas, diz Atlas da UNESCOA Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou no dia 5, um atlas que destaca as diferenças na educação de garotos e garotas em termos de acesso, participação e progressão.
O Atlas contém mais de 120 mapas, tabelas e gráficos e ilustra como as disparidades de gênero mudaram desde 1970 e como são afetadas por fatores como localização geográfica, investimento, campo de estudo e riqueza nacional.
O Atlas mostra que garotas em todas as partes do mundo foram beneficiadas com os esforços de alcançar educação primária universal, especialmente desde 1990, com dois terços dos países tendo alcançado igualdade de gênero no nível primário. Mas o nível secundário continua a ser um desafio para muitas meninas, especialmente na África subsaariana e no sul e oeste da Ásia.
“O Atlas é um chamado para a ação”, disse a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. ”Há ainda grandes progressos a serem feitos para alcançar o grande número de garotas e mulheres vulneráveis. que continuam a ter negado o seu direito à educação.”
O Atlas mostra o tempo estimado que um garoto ou garota passa na escola. Nos países árabes, por exemplo, as garotas estão propensas a gastar dez anos, enquanto os meninos podem ter instrução por um ano a mais.
O atlas também mostra como frequentar a escola nem sempre se transforma em emprego e renda para as mulheres. “Pode haver o mesmo número de homens e mulheres em sala de aula, mas até que ponto ambos os grupos são incentivados a perserguir a sua educação e potencial?”, questionou o diretor do Instituto para Estatísticas da Unesco, Hendrik van der Pol.
Conheça o Atlas Mundial da Igualdade de Gênero na Educação em pdf.
**  Publicado originalmente no site Rádio ONU e retirado do EcoD.
(EcoD)
http://envolverde.com.br/educacao/inclusao-educacao/acesso-a-educacao-secundaria-ainda-e-desafio-para-meninas-diz-atlas-da-unesco/

SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO PERPETUA A DESIGUALDADE

Artigo
16/3/2012 - 10h23

Sistema educacional é um importante instrumento a perpetuar a desigualdade


por Otaviano Helene*
140312 balanca educacao Sistema educacional é um importante instrumento a perpetuar a desigualdadeO Brasil chegou a ser, há não muito tempo, o país com a pior distribuição de renda em todo o mundo. Embora esta situação tenha melhorado nos últimos anos, continuamos em uma posição muito ruim – o nono pior índice de Gini(1) entre 107 países relacionados pelo Banco Mundial – e estamos evoluindo muito lentamente. Em apenas cinco países os 10% mais pobres têm uma participação na renda nacional menor do que os 10% mais pobres no Brasil e em apenas dois países os 10% mais ricos abocanham uma fração da renda nacional maior do que no Brasil.
A renda não se concentra por um processo natural, como se nos quintais de alguns nascessem, por natureza, frondosas árvores de dinheiro e nos quintais de outros, raquíticos arbustos de moedinhas. A renda se concentra como consequência de políticas explícitas que incluem o próprio sistema econômico, a ausência ou não de reformas agrária e urbana democráticas, a repressão dos ou o diálogo com os movimentos sociais organizados, as alíquotas de impostos diretos e o combate ou não à sonegação, a existência ou não de impostos sobre o patrimônio, entre várias outras.
Há dois processos relacionados à educação que contribuem fortemente para a perenização da concentração de renda: a renda das pessoas depende fortemente da educação formal que receberam, e a educação das crianças e jovens depende, também fortemente, de suas rendas familiares. A combinação desses dois fatores faz com que nossa política educacional seja um dos principais fatores de concentração de renda e de reprodução das desigualdades.
Um dos principais fatores responsáveis pela exclusão escolar é a renda. Por exemplo, a participação dos estudantes provenientes dos segmentos mais pobres da população cai significativamente ao longo das séries escolares e praticamente a totalidade das cerca de 30% das crianças que abandonam a escola antes do final do ensino fundamental tem origem nos segmentos mais desfavorecidos da população. Como a enorme maioria dessas crianças que deixam a escola prematuramente não frequentou as classes de educação infantil, a educação formal oferecida a elas restringe-se aos poucos anos de escolaridade no ensino fundamental, em geral em escolas precárias, com uma permanência diária abaixo das quatro horas e com muitas “aulas vagas”. Resultado: os investimentos educacionais feitos em favor dessa terça parte das crianças, cujos valores anuais são próximos ao piso do Fundeb(2), não excederão, ao longo de toda a vida, alguns poucos milhares de reais.
No outro extremo, entre os mais ricos, a educação começa nos primeiros anos de vida e dura pelo menos duas décadas, com valores mensais de investimento que superam os R$ 1 mil, ou muito mais do que isso, se forem incluídos investimentos com educação extraescolar (cursos de línguas, atividades esportivas, aulas particulares, etc.). Ao longo de toda a vida, esses investimentos podem superar centenas de milhares de reais.
Portanto, as desigualdades na educação formal são enormes. E esses contingentes com enormes diferenças educacionais, ao deixarem a escola, conviverão em uma mesma sociedade. Ninguém pode ter dúvida do que acontecerá.
Em resumo, nossas terríveis desigualdades econômicas e sociais entram nas escolas pela porta da frente, com a conivência, apoio e subvenção explícita por parte das autoridades municipais, estaduais e federais, fazendo com que nosso sistema escolar trate de forma extremamente diferente os pobres e os ricos. E, evidentemente, com o apoio total das elites econômicas, para as quais as desigualdades não devem ser enfrentadas e superadas, mas, sim, os desiguais devem ser combatidos quando ameaçam incomodar.
O círculo vicioso renda-educação-renda se fecha uma vez que a renda de uma pessoa depende fortemente de sua educação formal, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, coisa que salta aos olhos(3). Cada ano adicional de escolaridade de um trabalhador implica um aumento de renda da ordem de 15%, em média. Além dessa dependência da renda com relação ao número de anos de estudo, há também uma dependência em face da qualidade da educação recebida e, novamente, esta também depende fortemente da renda familiar dos estudantes.
Portanto, nosso sistema educacional é um importante instrumento a perpetuar a desigualdade, garantindo que ainda permaneceremos por longo tempo entre os países mais desiguais do mundo.
Outro aspecto perverso da desigualdade do nosso sistema educacional é o “desperdício” de pessoas. Como a desigualdade exclui das escolas enormes contingentes populacionais e grande parte dos não excluídos apresenta graves deficiências, nossas possibilidades de desenvolvimento social, cultural e do sistema de produção de bens e serviços são gravemente comprometidas, uma vez que não podemos contar com a contribuição produtiva da maioria dos nossos jovens, por mais dedicados, brilhantes e interessados que pudessem vir a ser: eles já foram descartados.
Para construirmos um país realmente republicano, precisaríamos romper essa situação e criar um sistema educacional onde todos, independentemente da origem social e econômica, sejam tratados de forma igualitária. Escolas com infraestruturas adequadas, professores e educadores que sejam remunerados adequadamente e instrumentos de gratuidade ativa(4) que compensem os custos induzidos pela frequência à escola são fundamentais.
E não há nenhuma limitação real e objetiva que nos impeça de construir uma escola igualitária e democrática: se excluímos crianças e jovens prematuramente das escolas e as condenamos a uma vida adulta com más remunerações, é uma opção política ditada pelas elites, que não abrirão mão, por bem, de nenhum de seus privilégios, por mais que eles possam ser danosos para a sociedade.
Notas
(1) O índice de Gini é um dos indicadores mais amplamente adotados para quantificar a distribuição de renda.
(2) O Fundeb, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, corresponde a um valor mínimo de investimento educacional da ordem de R$ 200 por mês e por estudante (valores de 2012). Estados cujos investimentos estão abaixo desse valor recebem uma complementação da União.
(3) Há exceções, obviamente, e algumas pessoas com pouca escolarização têm sucesso profissional e mesmo altas rendas. Entretanto, a regra seguida de forma majoritária é que a renda aumenta com o grau de escolarização. Por causa das poucas exceções, muitos, desatentamente, pensam que a regra inexiste ou é muito frágil; outros, às vezes por má fé, reproduzem e dão força a esse engano.
(4) Devemos lembrar que a renda per capita familiar de quase metade das crianças e adolescentes entre zero e 17 anos, segundo dados de vários PNADs, é inferior a meio salário mínimo. Se considerarmos que grande parte da renda familiar é gasta com moradia, alimentação, energia elétrica e outras despesas inescapáveis, o que resta para as outras despesas é extremamente baixo. Assim, uma simples passagem de ônibus adicional por dia, um pequeno lanche ou qualquer outra despesa associada à frequência escolar podem estar totalmente fora do alcance familiar. Nos segmentos mais favorecidos, muitas dessas despesas podem passar despercebidas, mas, para os segmentos mais desfavorecidos, elas são insuportavelmente altas.
* Otaviano Helene é professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.
(Correio da Cidadania) 
http://envolverde.com.br/educacao/artigo-educacao/sistema-educacional-e-um-importante-instrumento-a-perpetuar-a-desigualdade/

domingo, 25 de dezembro de 2011

BRASIL PARA FRANCÊS LER.


Para francês ler

Escola de Ciências Sociais em Paris lança revista científica sobre o Brasil e está aberta a artigos de brasileiros sobre todas as disciplinas

Cristina Romanelli
  • Brasileiros sempre tiveram interesse em estudar a Europa, mas agora é o Velho Mundo que está de olho no Brasil. Foi lançada em outubro "Brésil(s). Sciences humaines et sociales", única revista francesa sobre o nosso país. Feita pelo Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (CRBC-EHSS), está aberta a artigos sobre todas as disciplinas, incluindo História.
    A revista substitui os Cahiersdu Brésil Contemporain, publicados de 1987 a 2010. “Era muito artesanal, e a periodicidade, irregular. Não correspondia mais às expectativas de uma publicação sobre o Brasil. Agora queremos atingir o patamar de revista científica internacional”, explica a diretora editorial Mônica Schpun.
    O número de estreia relembrará artigos já publicados e terá três inéditos, do antropólogo Peter Fry, aposentado da UFRJ, da professora de literatura da USP Walnice Nogueira Galvão e de Carlos Fico, historiador da UFRJ. “Esse tipo de publicação é importante para divulgar o trabalho de brasileiros. Também é bom para estimular pesquisadores estrangeiros a estudarem nossa História e a pesquisarem História estrangeira aqui”, diz Fico.
    Nos primeiros meses de 2012, a revista divulgará os artigos na Internet, com acesso gratuito. Depois, os brasileiros que se interessarem poderão comprar pelo site www.editions-msh.fr.

HISTÓRIA EM MEGABYTES


História em megabytes

Em tempos de livros digitais, ‘bibliotecas públicas virtuais’ aproximam os leitores de grandes autores que já caíram em domínio público – e também de obras pirateadas e até proibidas pela Justiça

Felipe Sáles
  • Capa do livro de Capistrano de Abreu, transformado em ebook
    Capa do livro de Capistrano de Abreu, transformado em ebook
    Não há dúvidas de que os historiadores gostam mesmo é de papel – de preferência, velho. Mas em tempos de tanta documentação histórica digitalizada – e diante da popularização de tablets que agitam o consumismo natalino –, a RHBN Online preparou o caminho das pedras para os leitores mais modernos encontrarem livros eletrônicos gratuitos no emaranhado de megabytes da internet.
    Há uma infinidade de obras em domínio público presentes nas estantes das bibliotecas públicas virtuais, que permitem pegar livros “emprestados” por tempo indeterminado. É o caso, por exemplo, de um dos nossos mais célebres escritores. Machado de Assis conta até com um site especial, feito pelo Ministério da Educação, que disponibiliza em formato PDF a obra completa do primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Até as correspondências do escritor podem ser baixadas para o seu computador ou tablet.
    O site Domínio Público, do Ministério da Educação, é o oásis dos novos leitores, com mais de 180 mil obras à disposição. Quem não ganhou um tabletno Natal não precisa se preocupar: os livros são disponibilizados, na maioria das vezes, em formato PDF e HTML, padrão das páginas de internet que pode ser visto em qualquer computador. Desde 2004, já foram feitos mais de 30 milhões de downloads de livros diversos.
    Apenas sobre História Geral, são 1.263 obras – 726 delas em português. A mais acessada é “A escravidão”, de Joaquim Nabuco, lida virtualmente por mais de 33 mil pessoas. Outro que se destaca é “História do Brasil: 1500-1627”, de Frei Vicente de Salvador. Quem não leu o célebre “Capítulos de História Colonial (1500-1800)”, de João Capistrano de Abreu, pode começar a qualquer momento.
    Obviamente, a benesse não se restringe aos autores nacionais. Basta um clique para ter acesso a obras de William ShakespeareFernando Pessoa e Dante Alighieri – best seller online, com mais de 1,7 milhão de livros baixados –, passando por Pero Vaz de Caminha e Luís de Camões. Não há por que se preocupar com o idioma: o site oferece 16 opções – de latim a sânscrito! –, incluindo, obviamente, versões em português.

    Livro de 1908 sobre o Amazonas
    Livro de 1908 sobre o Amazonas
    Bibliotecas virtuais estaduais e independentes
    Outras opções interessantes são o Google Livros e os sites independentes Biblio e eBooksBrasil. Porém, há alguns problemas: o Google não permite a busca por disciplina, mas torna-se uma boa opção para quem sabe o que procura. Já os outros não têm uma navegabilidade muito fácil de lidar.
    Mas o melhor é que a ideia se irradia por outros estados. O governo do Amazonas, por exemplo, criou sua própria Biblioteca Virtual onde é possível encontrar o “Almanaque do Amazonas para 1908”, repleto de informações sobre Manaus no início do século XX, com direito a fotos e informações gerais da cidade. Já aeditora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) resolveu disponibilizar, gratuitamente, 120 títulos acadêmicos em formato digital. Desde o ano passado, mais de 60 mil pessoas fizeram o download.

    Capa do livro proibido pela Justiça e disponível na internet
    Capa do livro proibido pela Justiça e disponível na internet
    Exclusivo na internet
    Na internet é possível não só encontrar livros para todos os gostos e preços, mas também preciosidades bem longe das prateleiras, graças à Justiça brasileira.
    É o caso de “Roberto Carlos em detalhes”, do historiador Paulo César de Araújo, à disposição, com exclusividade, na internet. Para desespero do rei, que proibiu a comercialização da obra, o Google sinaliza mais de 6 mil sites disponibilizando gratuitamente o livro que disseca a vida do cantor. Paulo César, que não tem ideia de como a obra foi parar na rede, não se cansa de receber e-mails de leitores, não só do Brasil como da Argentina, México e Portugal.
    O livro apareceu digitalizado logo após a proibição, em abril de 2007. Na época, até o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, admitiu que estava lendo a biografia pela internet. Apesar de não capitalizar um trabalho de 15 anos de pesquisa, que abrangeu cerca de 200 entrevistas, Paulo César vê um lado positivo.
    “A rapidez e amplitude com que isto aconteceu podem ser vistas como um ato de desobediência civil, uma reação da sociedade contra a censura. Isto eu acho positivo.  Só lamento que meu livro não possa continuar também livremente nas livrarias, na forma como foi originalmente publicado. Seja como for, o importante é que 'Roberto Carlos em detalhes' continue acessível ao público. Eu escrevi para ser lido”. 

    ‘Democratização da leitura’
    Por outro lado, vários sites e blogs disponibilizam obras inteiras pirateadas – em alguns casos, envoltas num vieis ideológico de democratização da leitura. Num manifesto na internet, os idealizadores do projeto argumentam que a democratização do acesso à tecnologia e a precariedade dos espaços físicos de leitura obrigam a “reconhecer a falência do governo em prover sua população com as ferramentas tradicionais de inclusão cultural, como as bibliotecas”.
    O projeto – que conta com mais de 50 mil usuários cadastrados – parte da hipótese de que “as bibliotecas digitais têm o potencial de provocar mudanças no hábito de leitura e ampliar o acesso a livros”. Até aí, tudo bem. Só falta combinar com os autores que, afinal, precisam sobreviver para manter a "causa".
    Num desses sites são oferecidos, só de História Geral, 19 títulos, como o “Livro das moedas do Brasil – 1643 até o presente”, de Cláudio Amato, Irlei Neves e Arnaldo Russo, e até os oito volumes de “História da Geral África”. Nenhuma editora escapa, ao ponto de algumas capas de livros ganharem até selo do site pirata.

    Iniciativas em prol de pesquisadores e leitores
    Mas como a nova ordem veio para ficar, a Biblioteca Nacional, claro, não ficaria de fora e está com um laboratório de digitalização a todo vapor, seguindo a tendência das bibliotecas mundo afora. A BN faz parte do projeto Biblioteca Digital Mundial, juntamente com instituições de Alexandria, Egito e Rússia. O projeto prevê a digitalização de documentos, cartas, fotos e mapas nas seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo), além do português, graças à participação da Biblioteca Nacional. Estão sendo digitalizados 1.500 mapas raros dos séculos XVI a XVIII, além de 42 álbuns com cerca de 1.200 fotos da Coleção Thereza Christina Maria, doada pelo Imperador D. Pedro II à BN.
    Mas, quem não aguenta de saudade do cheirinho de papel, a internet também oferece uma solução. O site Trocando Livrosfaz, justamente, o que o nome propõe: você cria uma lista de livros que quer trocar e fica aguardando o interesse de algum usuário. Quando houver a solicitação, você envia pelos correios e ganha um crédito para solicitar outro livro. E quem estiver de olho na estante alheia, pode comprar crédito por uma quantia pré-fixada.
    Então, boas festas e ótimos downloads neste fim de ano!